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Mestre Pastinha


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Mestre Pastinha

Nascido em 5 de abril de 1889 na cidade de Salvador (BA), Vicente Ferreira Pastinha (Mestre Pastinha) é filho de espanhol dono de armazém com preta velha sapateira.


Iniciou a capoeira com o Mestre Benedito, ainda criança, após levar algumas desvantagens em brigas com um menino mais velho.


Em 1941 foi convidado por um conjunto de mestres para tomar conta da capoeira no bairro da Liberdade e assim surgiu sua escola de capoeira, o famoso Centro Esportivo de Capoeira Angola (CECA) que se tornou referência da Capoeira Angola.


Em 1971 Mestre Pastinha perde seu espaço no Pelourinho e a partir desse momento passa muitas dificuldades financeiras e problemas de saúde, entrando também em depressão.


Em 1979 Mestre Pastinha sofreu um derrame cerebral, o que o levou a uma longa internação, até que em 13 de novembro de 1981, faleceu cego e abandonado.


Mas, para falar de Mestre Pastinha, seguem dois textos extraídos o seu livro Capoeira Angola (1964) escritos por pessoas que conviveram com Mestre Pastinha e deram seus depoimentos sobre o mestre de todos os angoleiros.



Quem é Mestre Pastinha?


Esta pergunta sugere uma linda história, real, vivida por heroico personagem que aos 75 anos de existência conserva a mente e agilidade física de um jovem, impressionando, vivamente, aqueles que têm a ventura de o ver “jogar Capoeira” com os seus discípulos.


Junto de Mestre Pastinha nos sentimos contagiados do seu entusiasmo religioso pela Capoeira Angola que, desde menino, pratica com rara devoção e quando a ela se refere nota-se em seu olhar um brilho estranho que traduz a alegria que lhe vai à alma, como se falasse da razão de ser de sua própria vida.


A prática da Capoeira Angola exerceu na personalidade de Mestre Pastinha um irresistível fascínio que o transformou num verdadeiro predestinado para o ensino desta modalidade esportiva que praticada em obediência a seus ensinamentos pode contribuir, poderosamente, para o equilíbrio psicofísico do homem.


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Mestre Pastinha e aluno

Vicente Ferreira Pastinha – este é o seu nome de batismo. Nasceu a 5 de abril de 1889, na cidade do Salvador.


Fala-nos com palavras impregnadas da mais pura gratidão acerca de Mestre Benedito, um perto natural de Angola com o qual iniciou a prática da Capoeira e, nessa época, o menino Vicente Pastinha contava 10 anos de idade.


É de impressionar, com que lealdade e abnegação, Mestre Pastinha vem mantendo o ensino da Capoeira Angola, em sua pureza original, tal como a recebeu dos mestres africanos, não permitindo, em sua Academia, que fosse deformada com a introdução de práticas próprias de outros métodos de luta, sendo, por tal procedimento, reconhecido com legítimo representante da Capoeira Angola na Bahia e no Brasil a cujo folclore, seu nome, estará eternamente ligado.


A história de Mestre Pastinha é longa, em grande parte, uma luta contra as adversidades – será assunto para um livro que nos contará sua vida que se confunde com a história da Capoeira da Bahia.


Salvador, 5 de dezembro de 1964


J. B. Colmero

(aluno do Mestre Pastinha)




Mestre Pastinha, mestre da capoeira de Angola e da cordialidade baiana, ser de alta civilização, homem do povo com toda sua picardia, e um dos ilustres, um de seus obás, de seus chefes. É o primeiro em sua arte; senhor da agilidade e da coragem, da lealdade e da convivência fraternal. Em sua Escola, no Pelourinho, Mestre Pastinha constrói cultura brasileira, da mais real e da melhor. Toda vez que assisto esse homem de 75 anos jogar capoeira, dançar samba, exibir sua arte com o elã de um adolescente, sinto toda a invencível força do povo da Bahia, sobrevivendo e construindo o pesar da penúria infinita, da miséria, do abandono. Em sim mesmo o povo encontra forças e produz sua grandeza. Símbolo e face desse povo é Mestre Pastinha.


Jorge Amado


imagem Mestre é de Chumbo
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